“Vocação é antes de tudo, encontro pessoal com Jesus Cristo”
(Pe. Libermann)
A vocação, não é uma escolha, é resposta ao chamado de Deus, respondido com a própria vida e durante toda a vida! Isto se dá na relação entre Deus e o ser humano. Ela é dom de Deus para a realidade humana. Deus sempre chama pessoas para o serviço do seu Reino no mundo e na Igreja. Deus viu, ouviu, o clamor do seu povo e desceu para libertá-lo (Ex 3, 7). Seu Filho também agiu assim: “ao ver as multidões cansadas e abatidas, Jesus teve compaixão delas, pois percebeu que estavam como ovelhas sem pastor. E naquela circunstância disse: A messe é grande e os operários são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que envie operários para a sua colheita” (Mt 9,36-38). Deus nos chama desde sempre. O primeiro chamado foi o chamado à vida, para ser vivida a serviço do Reino. Por isso a vida é missão. No AT, disse Deus a Abrãao: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrarei. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, e tu serás uma benção” Gn 12, 1-2). Hoje Ele continua chamando, e como sempre, a iniciativa, é Dele, como fez com Jeremias. O profeta percebeu, por graça, o chamado do Senhor: “Antes que te formasse no seio de tua mãe, eu te conheci, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e fiz profeta para as nações” (Jr 1,4-5).
O caminho vocacional, pode ser comparado a um belo jardim. Para ser belo precisa ser cultivado. Foi isso que a Igreja do Brasil fez: cultivou o “jardim” da pastoral vocacional. Em 1981, durante a 19ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos do Brasil decidiram estabelecer o mês de agosto como mês vocacional. Esta decisão fazia parte de uma série de iniciativas que visam dar à Igreja Católica no Brasil novo vigor vocacional. Junto com o mês vocacional os bispos aprovaram a realização do primeiro ano vocacional (1983) e a publicação do Guia Pedagógico de Pastoral Vocacional, um livrinho que, apesar dos anos, continua atual.
Todo esse incremento da animação vocacional fora motivado pela Conferência de Puebla (1979) e pela realização do 2º Congresso Internacional das Vocações, que aconteceu em Roma em 1981. O Brasil, atendendo ao apelo do Papa João XXIII, tinha começado a planejar a sua ação pastoral ainda durante o período da realização do Concílio Vaticano II. Dentre as prioridades estava a preocupação com as vocações. E cada ano se percebe uma atenção cada mais expressiva neste campo, com atualização de subsídios, investimento nas equipes vocacionais nas dioceses e Prelazias, enfim, um trabalho multidisciplinar quando o assunto é vocação. A Prelazia de Tefé, em sua última assembleia de pastoral, ocorrida, em julho de 2023, ao elaborar o Plano de Pastoral, em lugar de prioridades, optou por “CAMINHOS”, e entre os cincos caminhos assumidos por esta Igreja Local, temos o CAMINHO VOCACIONAL, cujo texto bíblico iluminador é Lc 1, 38: “Então Maria disse: Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Ao falar do caminho vocacional, o povo reunido em assembleia, sonha por uma Prelazia como comunidade dos chamados aos Ministérios, isto é, uma Igreja toda ministerial. Uma Igreja que desperta, cultiva e acompanha a cultural vocacional. Pois toda vocação nasce do batismo. Assim sendo devemos ser batizados e enviados. O objetivo do CAMINHO VOCACIONAL, é desenvolver a consciência missionária de todos os batizados e batizadas; acompanhar os jovens, para que sintam o despertar da vocação, pois toda vocação é dom da graça de Deus. Para isto, a Prelazia de Tefé, em comunhão com a Igreja no Brasil, é convidada a rezar sempre pelas vocações, a oração é o primeiro passo no caminho vocacional. É o pedido que Deus faz para que a gente reze, para que Ele envie trabalhadores para sua Messe. “Pedi, pois ao Senhor da Messe…” (Mt 9, 38). Vamos continuar acreditando na “Igreja como como uma sinfonia vocacional”.
+ José Altevir da Silva, CSSp
Prelazia de Tefé – AM