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MÊS DE AGOSTO: QUE SEJA A GOSTO DE DEUS

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MÊS DE AGOSTO: QUE SEJA A GOSTO DE DEUS

 

 

Para nós, cristãos católicos, desde o ano de 1981, o mês de agosto, no Brasil, é dedicado à temática vocacional. Essa foi uma decisão da 19ª Assembleia Geral da CNBB.

Todas as vocações são celebradas e refletidas em um dos fins de semana do mês de agosto. Os meses temáticos sempre trazem a proposta de um tema e de um lema que orientam nossa reflexão e nossa oração.

Desde o início da abordagem que aqui farei, deixo claro que, no meu entendimento, ainda precisamos superar a valorização e a classificação das vocações como superiores ou inferiores em dignidade. Afinal, todas elas provêm do mesmo e único Deus, que chama cada pessoa conforme a sua vontade e para o serviço ou ministério específico que deseja.

As vocações são distintas umas das outras, mas não superiores nem inferiores. Nem todas as pessoas podem realizar as mesmas tarefas, pois, do contrário, muitos serviços indispensáveis deixariam de ser realizados. Há até um conhecido dito popular: “Deus não chama os mais preparados; prepara e capacita aqueles que chama.”

Ninguém, na Igreja, merece esta ou aquela vocação ou ministério. Em um mundo no qual as sociedades funcionam, muitas vezes, a partir da meritocracia, é quase impossível compreender essa realidade. Para nós, cristãos, conforme escreve São Paulo, basta-nos a graça de Deus: “O Senhor me disse: Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente” (2Cor 12,9).

Todos somos fracos, indignos, pecadores e insuficientemente preparados. Por isso, superemos, de uma vez por todas, a ideia de que uma vocação — especialmente a do padre, da religiosa ou do religioso — seja superior ou mais digna que as demais.

Infelizmente, ainda hoje, quando um padre é chamado a ser bispo, o que mais se ouve dos cristãos é: “Você merecia!” Essa é uma das coisas mais tristes, pois revela uma mentalidade marcada pela meritocracia e pelo carreirismo. Ser bispo jamais pode ser visto como uma promoção.

Infelizmente, também existem outros títulos e funções que são almejados como forma de promoção, de superioridade ou de conquista de poder. No entanto, o verdadeiro poder está em servir à comunidade, no serviço do avental, e não no brilho das honrarias.

Jesus chamou pescadores, cobradores de impostos, pecadores, medrosos, homens simples e, em Saulo, um perseguidor dos cristãos. Foi lapidando cada um deles, mas, mesmo assim, todos permaneceram conscientes de sua fragilidade.

Neste ano, a CNBB propõe, para o Mês Vocacional, o tema: “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão”, e o lema: “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46).

Gosto muito de destacar que o matrimônio cristão é elevado por São Paulo à dignidade de vocação, quando escreve em Efésios 5,31-32:

“Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Este mistério é grande; eu o digo com referência a Cristo e à Igreja.”

Portanto, no amor e na união indissolúvel do casal cristão deve tornar-se visível o amor de Cristo pela Igreja. Essa aliança de amor entre Cristo e a sua Igreja, que é o seu Corpo, é sacramental. Assim, o casal cristão torna-se sinal sacramental da Aliança de Cristo com a Igreja.

“A messe é grande, mas os trabalhadores e as trabalhadoras são poucos.”

 

+ Dom Guilherme Antônio Werlang, MSF

Bispo emérito da Diocese de Lages – Atualmente está na Prelazia de Tefé – Am.

 

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