Fé-Esperança-Caridade no Senhor
Estamos amados por Deus neste tempo Comum, VI Domingo, e o que é, para a Igreja, o tempo comum? Do contrário como muitos podem pensar. O Tempo comum não é um mero momento de transição, ou de preparação para as grandes solenidades, como a Páscoa e o Natal. O Tempo Comum é o momento em que a Igreja vive litúrgica e espiritualmente os ensinamentos de NSJC, as suas lições, a sua missão apostólica, os seus milagres. Onde ideia, do Messias é cada vez mais reforçada através dos seus atos. Deus na verdade visita o seu povo, enviando no meio de nós, o seu Filho, consolidando desta feita, a nossa salvação, a renovação da esperança da humanidade dilacerada pelo pecado, pelo ódio, inveja e outras enfermidades de doenças de vária ordem. Por isto é que este tempo é o momento da grande esperança dos homens, e sabemos que a esperança é simbolizada pela cor verde. Renovamos em JC, nos seus ensinamentos a verdadeira esperança perdida. A Esperança, virtude cristã que caracteriza o tempo comum, deve ser vista como um meio eficaz para a nossa salvação.
Leit: amados em Cristo, os textos deste 6º DTC nos apresentam as virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Da profecia de Jeremias, a 1ª leitura transparece na sua expressão a condição dupla do homem. Aquele que confia no Senhor, como sendo bendito e aquele que pões sua fé-confiança nos homens, como sendo o maldito por não colocar a sua sorte no Senhor. Enquanto que o bendito do fruto o maldito é comparado à aridez do deserto. Na 2ª leitura, St é mais preciso porque coloca a tônica na fé na ressurreição, como sendo critério da nossa esperança. Sendo ela vã, quando não acreditamos na ressurreição de NSJC. No santo Evangelho Jesus dum lugar ermo relato o sermão da montanha: Bem-aventurados aqueles que praticam a caridade. Aqui ao contrário da lógica do mundo os bem-aventurados são os pobres, os que têm fome, os que choram, os rejeitados e insultados. – Isto, meus irmãos, se distancia mesmo da lógica daquilo que as realidades temporais hoje nos apresentam.
– Contextualização: meus irmãos e minhas irmãs. Olhando para os textos vemos a exigência pastoral a eles inerentes, que se circunscreve nas virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Não é difícil compreender que os que são pobres, os que têm fome neste mundo, os que choram são os benditos, os bem-aventurados. Porque na sua pobreza, fome, tristeza põem a sua fé-esperança-caridade no Senhor. Por isto é que não devemos nos distrair com as novas profecias da prosperidade, do lucro fácil, dos benefícios temporais como sendo a nossa realização plena. E quando um cristão não percebe que o Senhor Chama bendito o pobre, na pobreza evangélica, não é o miserável, o desgraçado, os que não têm o que comer, mas refere-se àqueles que na 1ª leitura são considerados os malditos, porque afastaram o seu Coração do Sr., os que agem sem fé na ressurreição, como no-lo afirma St Paulo, na 2ª leitura, os que vivem sem esperança no Senhor; os que não sabem o que é a caridade. Estas são os ricos de hoje, os aparentes benditos do mundo de hoje. Por este facto evidente, é que muito então procuram à todo custo tentar não ser pobre; encontram caminhos para se enriquecer, com práticas desumanas, como o roubo, os assaltos, a fraudulência e no nosso caso a partidarização cega, a militância selvagem, aquele que nos impede de até mesmo refletir em favor do bem. Resultado como o fim é ser rico, então não importa os meios para se atingir esta riqueza material, todos os caminhos são lícitos e válidos, resultado é aquilo que observamos na nossa sociedade de hoje, com maior incidência nas cidades. Neste sentido bruto, vamos tendo os homens materialmente ricos e poderosos, mas pessoas antropologicamente pobres, pauperização da nossa humana, porque nós excluímos o altruísmo, a amor ao próximo (..). é que nós infelizmente assistimos homens ricos, mas pessoas humanas pobres. Ou seja, sem moral, eticamente reprovável, com relações selvagens. É, pois, aquilo que vemos: os mais ricos neste país são aqueles que mais tiveram a chance selvagem de assaltar o erário público, os mais ricos são aqueles que adiam deliberadamente o sonho de muitas crianças, privadas de educação, de sonhos de uma possível realização. Destruindo as vidas de muitas jovens meninas, que indo atrás de riquezas se distraem com presentes e outros benefícios que acabam, não acabam que levam também ao acabamento. Os nossos ricos, na sua maioria têm muitas famílias, muitos filhos, etc. Sim queridos irmãos, bem aventurados os que têm fome porque serão saciados. Aqui a fome evangélica, não só a ausência de comida. Mas no nosso contexto, prende-se também com a fraca capacidade de nos nutrir dos verdadeiros valores de paz, integridade, harmonia, amor, fraternidade, justiça, cuidado com a criação, com a natureza. Esta fome de valores humanos é a mais perigosa; porque esta fome de valores é que nos trona insensíveis a desgraça alheia, enquanto a minha pança estiver cheia pouco me importa a fome do outro, enquanto eu tiver fartura, nunca vou olhar para o redor de quem tem ou não. Esta fome que faz com que tendo muito não nos beneficiamos de nada. Com um vasto rio, imensos recursos hídricos, não haveria preços muito altos na aquisição de peixe. Meus irmãos precisamos ter fome de justiça para entender que dar ao outro aquilo que lhe pertence é um valor transcendente e essencialmente humanista, quando tivermos fome de justiça entenderemos que os que são assolados pela seca cíclica do a fome não relativa mais realista e permanente, aprenderemos a cuidar melhor dos nossos rios, lagos e igarapés. Quando tivermos fome justiça, de paz e de caridade vamos ser mais humanos.
– Meus irmãos, quando o Senhor nos mostra que os que são prosseguidos, quando formos odiados, rejeitados, desprezados como temos vindo a escutar estes últimos dias só porque se apela a transparência, a humanização das nossas estruturas de alcancem do desenvolvimento integral; quando não nos entenderem na nossa missão de anunciadores da liberdade, contra opressão. Nós, meus irmãos, devemos nos alegrar e exultar porque é grande nos céus a nossa recompensa.
É na esperança que fomos salvos: diz São Paulo aos Romanos e a nós também (Rm 8,24). A «redenção», a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de facto. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho.
16/02/2025
Partilha Homilética VI-DTC – (Pe Orlando Prata, Cssp. – Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe – Fonte Boa)